domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pavor medo e diversão - o antes

Não sei o porquê, mas nesta fase de minha vida tenho me questionado sobre decisões que tomei, é claro que hoje elas ainda surtem efeito, e o hoje, nada mais é do que o reflexo destas escolhas. Mas não é esta questão que estou me referindo, quero saber se o que fiz define realmente o que sou hoje. Será sempre necessário para ao crescimento e a maturidade o cometimento de erros? É isso ao menos o que me dizem hoje.
Eu sabia sempre quando estava prestes a fazer ou tomar a decisão errada. No meu caso, quero dizer não sou produto do meu meio, nasci com defeito, sempre inclinado a fazer o errado. Percebam que era para fazer o errado e não mal, eu não desejava coisas ruins as pessoas, mas achava muito cômico por exemplo desligar relógios de luz das casas por onde passava, nas ruas menos movimentadas das cidades em que morei. Em especial numa destas aventuras, a primeira fora da minha cidade natal, acompanhado por meu irmão, já tínhamos sido comparsas anteriormente.
 Quando tivemos de fugir, eu ele e outros amigos da policia militar. Meu irmão que deveria ter dez anos e eu próximo de alcançar meus oito anos de idade. Mesmo menos experiente tinha um talento natural para inventar desculpas. Vimos uma data com monte de terra, que formava uma pequena montanha num terreno vazio e escuro, disse instantaneamente no momento em que vi o as luzes da sirene brilhando na esquina. Eu sabia, o camburão ia virar e entrar na rua em que nos estávamos:
-Vamos entrar aqui e fingir que estamos brincando e cavando buracos nesta terra, suje suas mãos e não diga nada!
Que sensação, medo pavor e diversão, esta mistura era inebriante e contagiava, era uma sensação que começava no estomago, espalhava pelos braços e pernas e acabava na cabeça. O policial rigidamente disse apontando uma lanterna de dentro do camburão:
-Ei! Molecada! O que estão fazendo ai! Venham aqui!
Inocentemente:
-O tio! Agente não sabia que não podia brincar aqui!
- Eu não sou tio! Sou policial!
- O que estão fazendo aqui?
- Brincando seu guarda, naquele monte de terra, fizemos buracos! Amanhã vamos trazer uma pá!
E perguntou o policial:
- Onde vocês moram?
- Logo ali, duas ruas a frente, mas pelo quarteirão de cima.
Decepcionado perguntei
- Agente não pode brincar aqui?
- Meu pai deixou agente brincar aqui.
Quando de repente ele ilumina a calçada, que era de terra e estava com capim a meia altura, com um garoto deitado, que parte em disparada e some por entre casas pulando muros, era o nosso amigo. Mais uma vez aquela sensação passa pelo meu corpo.
Os policiais ficaram sem reação, porque não estavam atentos, disseram que deveríamos ir embora havia uns maloqueiros desligando os relógios daquele bairro e que estava a procura deles, pois teriam de levá-los ao juiz da cidade, que era também o juiz de menores e partiram.
Meu irmão mudo e assustado, disse que quando viu nosso amigo, suas pernas bambearam, me agradeceu, disse que estava com medo e me elogiou, eu havia ganhado o respeito do meu irmão, que anos depois desapontei e marquei profundamente.    
Por esta experiência que me marcou profundamente, não podia conjugar corretamente verdadeiro sentido dela e exprimir em palavras aquele misto de pavor medo e diversão, cheguei acreditar que era coragem.
Vi nesta aventura talvez a minha parceria mais fiel, meu sócio meu amigo meu irmão. Embora depois o tenha feito sofrer, apesar disso, este ali para me bater e acordar para a vida quando preciso.
Por isso me questiono isso foi errado, mas foi necessário e nesta ocasião era eu quem estava ali, como raramente aconteceu em minha vida. Essas situações criaram um vinculo com meu irmão, a cumplicidade chegou até o limite, mas ele estava lá, me pendia para o outro lado da balança, nunca dizendo o eu deveria fazer. Ele era o exemplo, que só pude notar quando ele precisou de contra peso nesta balança.