sábado, 11 de dezembro de 2010

O inicio


Provavelmente começar qualquer coisa não é tarefa fácil. Na minha experiência pessoal, o começo sempre foi algo penoso. Quando era mais novo, tinha um sensor chamado medo, e ele não me permitia ir muito adiante. Quase sempre parecia ser instransponível esta barreira, entre começar algo, e conseqüentemente realizar alguma coisa. Mas dentro de mim, havia algo que se interessava em acontecimentos, pessoas e coisas. A vida parecia muito complicada, e eu me sentia pequeno demais para o mundo a minha volta. Uma coisa era certa, eu não conseguia ficar parado seja na escola, em minha casa finalmente em meu bairro, a porta para o mundo. Dali em diante, em algum momento este sensor parece ter dado defeito, e assim iniciei minha trajetória de vida, tombos e tropeços são acontecimentos marcantes e mais importantes em minha ainda curta viagem conhecida por vida.
Comecei como começo agora, sem saber no que vai dar, sem saber muito bem o que fazer. Possuo aquela mesma sensação inicial de medo, ainda muito pequeno em relação ao mundo, mas com alguma coragem para conhecê-lo. Buscando uma forma de entendê-lo. Compreendo apenas que estou com ele de alguma forma conectado desde meu nascimento, eu faço parte dele e ele de mim.
A algum tempo as coisas pareciam seguir como em um trilho de trem, com objetivo bem definido, seguindo um rumo certo. Mas isso não veio gratuitamente em minha vida. Em algum momento no passado, este trilho acabou e meu rumo foi diretamente ao fundo do posso físico e emocional, uma viagem que normalmente só se compra a passagem de ida.
Antes de cada investida em uma ação diferente, me lembro de parar e pensar, por incrível que pareça, minhas atitudes nunca foram fruto de uma atitude impulsiva. Pensava como seria a resposta daquela pessoa antiga, que vivia conforme os trilhos me levassem, e assim, fazia exatamente o contrario. Não procurava chamar a atenção das pessoas, procurava sim, a sensação que o diferente, o reverso, podia proporcionar. O errado tinha um saber diferente, era intenso. O que antes era busca de liberdade, após algum tempo, se tornou uma prisão, o que buscava, me prendia, passou a sufocar até quase matar, tudo era igual, dor e os dias. Na realidade os dias eram prisões de sensações, já não davam prazer. Era duro acordar e lembrar que só tinha feito uma coisa, e precisava fazer tudo de novo. Mas nem sempre era possível e então era mais dor e começar mais uma outra dor, como sustentar aquele vicio?              

Um comentário:

  1. Que bacana André! Finalmente deu o "start" no blog que você há tempos vinha desejando fazer. Gostei de seus escritos. É isso ae. Começar algo ainda que não saibamos onde é que vai dar, já é alguma coisa. O importante é sempre dar o primeiro passo. E essa foto aí, ficou show de bola. Quem tirou caprichou no ângulo. Rs... bjs

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