Hoje é o penúltimo dia do ano de 2010, diante de varias coisas que aconteceram neste ano, sempre quero mais. Cada ano é uma experimentação, erramos e com estes erros procuramos fazer diferente, não necessariamente de forma correta, apenas diferente. O certo e o errado são palavras pesadas, estão em dois extremos dos acontecimentos. O que me pergunto é se experimentei suficientemente, deve-se então refletir, cada um de nós esta pronto a experimentar apenas aquilo que estamos preparados. Este ano estive preparado entre outra coisas, a deixar para trás o que algumas coisas que apesar de velhas e doloridas fazia questão de leva-las comigo. Estive preparado para conhecer, quebrar barreiras e transformar a vida em algo diferente, nem certo e nem errado, apenas diferente.
O que não é diferente em regra é fazer a contabilidade geral, do que foi bom e do que foi ruim. Entendo ser algo muito difícil, pois o que aconteceu de ruim, após a dor inicial tornou-se algo bom e muito valioso que carregarei até que se tornem velhas e doloridas, são as minhas experiências, as mais mal sucedidas que me impulsionaram a crescer.
Tive intensas discussões com um amigo este ano, chegamos a nos evitar por alguns dias porque eu havia sido, um tanto quanto áspero, para não disser agressivo. E ele também, não quero, aqui justificar minhas ações nas ações dele. Mas nossa amizade é algo mais profundo, e vai muito alem de noites de muita diversão ou tapinhas nas costas. Vivemos verdadeiras tempestades, em que um apenas serviu ao outro estando ali, sem palavras muitas as vezes. E esse tipo de amizade comporta discordâncias, diferenças de opiniões e por isso mesmo, por existir a amizade é que me senti à-vontade, de forma enérgica discordar da opinião medíocre do meu amigo, afinal de contas ele é meu amigo, é a única pessoa da qual posso falar mal sem sentir culpa ou remorso algum. Usando inclusive de adjetivos direcionadas a ele como ”vagabundo” e “ignorante”.
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| A foto é apenas ilustrativa |
Estávamos em um restaurante do centro, em um longo balcão em forma da letra “u” sentados em banquetas comendo a melhor esfirra da cidade com refrigerante. No centro antigo quem vem sofrendo nova transformação, porque fica ao lado de um shopping Center, mas continua a abrigar a prostituição, bandidos e drogados da cidade. A decadência não perdeu seu charme. Estávamos lá a aproximadamente dois meses do natal. Provavelmente era uma sexta-feira. Sem grandes perspectivas profissionais, afinal de contas somos profissionais liberais e não sabemos ainda como ganhar dinheiro, sabíamos trabalhar ou pelo menos colocar um terno, e as vezes, para impressionar sei la quem. Embora eu nunca tenha me impressionado com outros novos advogados de terno. Se estivessem em situação parecida com minha, deveriam ter poucos clientes e alguma disposição para se vender. Ou então haviam herdado um “know how”e já trabalhavam em escritórios. No meu caso, já havia entrado em um escritório de advocacia, vez ou outra meu pai me levava em seu escritório, mas ele deixou de advogar a uns vinte e dois anos atrás e eu nunca mais pisei em um escritório. Vejam só, me tornei advogado, eu e meu amigo, sem dinheiro, sem muitos clientes e com alguma expectativa de receber algum crédito, brigamos discutimos e perdemos a razão. Nos evitamos por dias, mas depois estávamos novamente em uma sexta feira, discutindo.

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